Deitando ao chão 11 11 2014
Muitos deitam em camas
Rangentes, guinchantes,
barulhentas
Já eu gosto da lucidez
do chão
Com seu assoalho vasto
e resistente textura
Porém, seu toque é
frio, persistente
Faz-me sentir falta de
teus braços
E dos portos e navios
dos teus olhos
Vejo figura dançando
entre as cortinas da janela
Enquanto a orla do
tecido lambe o chão
Os dedos de minha mão
sentem o aroma
E um fantasma te deita
em minha sombra
Não precisas me
oferecer tuas coxas
Mas aceito tuas pernas
com carinho
Se aceitares a
sinceridade de meus suspiros
Pois ao fim, é muito
chão pra pouca carne
Deitados nesse mundo de
frio estendido e solo
Só percebemos o limite
de nossa pele
Quando envolvidos em outros
No escuro, no frio, a
terra é como água
Cabelos ondas, corpos
líquidos,
Talvez aceite um pouco
das coxas...
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