domingo, 9 de novembro de 2014

Poema (7) - Ciclo de chuvas



Ciclo de chuvas

Abrace as pessoas como se envolvesse a chuva
Imensa, porém frágil; inúmera, porém pequena; Tangível, porém fugida
Lembre-se do vento: Pessoas vêm, pessoas vão
Quem te sorri hoje, amanhã te emparelhará os ombros
Como apenas mais alguém numa fila de espera
Nem culpe a pessoa por ser assim
Culpas são inexistentes para a chuva
É natural a mudança; de manhã não percebemos a noite
E a escuridão, da mesma forma, não é problema; Apenas gotas de vista
Pois a chuva só existe em seu trajeto de queda
Assim somos nos corações uns dos outros
Cintilantes somente se quedando; quando alcançados ao destino, desexistimos
Mas nunca pensemos assim no fim – este é tão ilusório quanto o começo
Lagos se formam, nuvens renascem, e a mesma chuva cairá
Sobre os mesmos campos, sempre igual e diferente
Os ombros que se viram hoje podem sorrir amanhã

Como sorri a graúna à chuva que circula no sertão

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